Estudo do LIM 38 (Laboratório de Epidemiologia e Imunobiologia) mostra quantos casos poderiam ser evitados com a mudança de hábitos
O câncer é uma das principais causas de morte no Brasil. E, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa é que, até 2025, os casos aumentem em até 50% no país. Embora seja uma doença multifatorial, sabe-se que há cinco fatores de risco que aumentam as chances de desenvolver ao menos vinte tipos de câncer: tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física.
A partir do consenso na literatura científica dessa relação entre os fatores e os tipos de câncer, o pesquisador Leandro Rezende, à frente do grupo de estudo do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP e do LIM 38, decidiu quantificar quantos novos casos e mortes poderiam ser evitados se esses fatores fossem eliminados: 114 mil novos casos (27% do total) e 63 mil mortes (34% do total).
As incidências de câncer de pulmão, de laringe, de orofaringe, de esôfago, de cólon e de reto poderiam ser reduzidas pela metade caso os cinco fatores de risco fossem eliminados.
Para fazer esse cálculo, ele utilizou dados de estudos anteriores e cruzou com informações oferecidas sobre a população brasileira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, e pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). O estudo, que foi publicado na revista Cancer Epidemiology em abril, tem como objetivo não apenas alertar a população para a importância da mudança de hábitos, mas também servir de parâmetro para políticas públicas.

Sobrepeso e obesidade são fatores de risco maior entre as mulheres. Para os homens, o tabagismo é a maior ameaça (Crédito: Tania Dimas/Pixabay)
“Queremos mostrar a importância da prevenção primária do câncer por meio de mudanças no estilo de vida”, explica Rezende. “Mas isso não pode ficar apenas na conta do indivíduo, como se só dependesse dele essa mudança. Políticas públicas são fundamentais nesse sentido”.
Isso significa desde a construção de novos parques e praças para estimular a prática de exercício físico até a taxação de produtos que estão diretamente relacionados aos fatores de risco: cigarro, álcool e alimentos ultraprocessados.
Na palestra que será apresentada no Seminário Científico de Maio, Leandro falará ainda sobre as diferenças encontradas entre homens e mulheres. O tabagismo, fator de risco que mais mata por câncer no Brasil, afeta mais homens. Já o excesso de peso é um fator de risco maior entre mulheres.
Seminário Científico de Maio: “Epidemiologia, causas e preventabilidade do câncer no Brasil”
Dia 8 de maio, às 11h30, no Anfiteatro de Paramédicos (4º andar, sala 4303)
Débora Rubin | Comunicação LIMs


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