Cientistas identificam enzimas que podem ser usadas no combate à resistência a antibióticos

14 de dezembro de 2021

Agência FAPESP * – Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) determinaram a estrutura e a função de duas enzimas envolvidas na produção dos antibióticos chamados de gentamicinas pela bactéria de solo Micromonospora echinospora, responsáveis por tornar esse medicamento menos suscetível à resistência das bactérias.

O conhecimento produzido pelo grupo pode servir de base para modificar outros antibióticos da mesma classe, os aminoglicosídeos, tornando-os capazes de contornar a resistência desenvolvida pelas bactérias e diminuindo a sua toxicidade, o que permitiria um uso mais abrangente desses fármacos.

O trabalho, financiado pela FAPESP e que fez parte da tese de doutorado de Priscila dos Santos Bury, foi publicado na revista científica ACS Catalysis.

A gentamicina é frequentemente utilizada na forma de cremes e pomadas para tratamento de infecções tópicas, mas não costuma ser aplicada para tratar infecções internas por ser tóxica para o ouvido e para os rins. É considerada um antibiótico injetável de último recurso, para casos de infecções muito resistentes.

“Os aminoglicosídeos foram descobertos na década de 1950 e tratam diversas infecções bacterianas sérias, como a tuberculose. Por serem moléculas mais antigas e já terem sido amplamente utilizadas, as bactérias já adquiriram resistência a muitas delas”, explica o professor Marcio Vinicius Bertacine Dias, coordenador do estudo e responsável pelo Laboratório de Biologia Estrutural Aplicada do ICB, em entrevista para a Acadêmica Agência de Comunicação.

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