COVID-19 é também uma pandemia de desigualdades sociais e econômicas’, diz pesquisador

11 de maio de 2021

André Julião | Agência FAPESP – Além de investimentos massivos em medicina e saúde pública, os próximos meses vão demandar respostas aos problemas socioeconômicos ocasionados pela COVID-19 – em escala possivelmente sem precedentes na história. A avaliação é de Steven Hoffmann, professor da York University e diretor científico do Institute of Population & Public Health, ambos no Canadá.

“Essa é também uma pandemia de desigualdades sociais e econômicas”, disse Hoffmann durante o webinar “A Research Agenda for COVID-19 Recovery”, realizado em 5 de maio pela FAPESP, com apoio do Global Research Council. Disponível no YouTube, o evento teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre a Chamada de Rápida Implementação UN-Research Roadmap COVID-19.

edital, lançado em abril pela Fundação, visa selecionar projetos de pesquisa colaborativa que subsidiem políticas públicas voltadas à recuperação da crise socioeconômica decorrente da pandemia. Propostas podem ser submetidas até 26 de junho (leia mais em: agencia.fapesp.br/35668/).

Hoffmann coordenou a elaboração do “UN Research Roadmap for the COVID-19 Recovery”, documento lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em novembro de 2020 para estimular um esforço mundial de criação de estratégias – subsidiadas por evidências científicas – para o período de recuperação pós-pandemia. Um dos pilares do roadmap, Proteção Social e Serviços Básicos, foi elaborado por um comitê que teve entre os membros a FAPESP (leia mais em: agencia.fapesp.br/34627/).

“Em 2020, 71 milhões de pessoas chegaram à extrema pobreza, revertendo ganhos bastante significativos ocorridos nas últimas décadas em termos de enfrentamento da pobreza global. Em um certo momento, durante a pandemia, 90% dos estudantes estavam fora da escola. Alguns países reportaram aumento de mais de 30% em casos de violência doméstica. E 60% dos países relataram superlotação em presídios, o que nunca é bom, claro, mas é particularmente ruim no contexto da pandemia, em que aumenta o risco de espalhar a COVID-19”, apontou o pesquisador.

“Dada a natureza global da pandemia de COVID-19, entendemos que a cooperação é muito necessária, ainda mais na pesquisa. O que podemos aprender no Brasil pode ser relevante para pessoas em outros países. O mesmo se aplica para o que é aprendido em outros países, que pode ser importante para nós. Estamos muito felizes em lançar essa iniciativa e tentar engajar o maior número de pesquisadores ao redor do globo nesse esforço”, disse Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, durante a abertura do evento.

Além de tentar garantir que as ações para lidar com a pandemia sejam subsidiadas por evidências científicas, um dos objetivos do documento da ONU, segundo Hoffmann, é fazer com que os aprendizados da primeira fase da pandemia ajudem a dar base para as respostas ao momento pós-pandêmico.

“Queremos trazer um foco renovado para problemas sistêmicos que conhecemos há muito tempo, mas que a COVID-19 tornou ainda mais evidentes. Temos de assegurar que as populações marginalizadas, as mais afetadas por essa crise, tenham a atenção, os recursos, o engajamento e o poder necessários”, afirmou Hoffmann.

Mais informações, clique aqui.

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