Entre hospitalizados por trauma no Hospital das Clínicas da USP, 31% consumiram álcool ou drogas ilícitas

18 de janeiro de 2022

Theo Ruprecht | Agência FAPESP – Pesquisa conduzida na Universidade de São Paulo (USP) constatou que a prevalência do consumo de substâncias psicoativas entre pessoas internadas por algum trauma no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HC/FM-USP) é de 31,4%. O álcool foi o entorpecente mais usado (23%), seguido da cocaína (12%) e da maconha (5%). Em 9% das amostras de sangue, traços de mais de uma droga foram detectados.

O estudo teve a colaboração de pesquisadores do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega. Os resultados foram publicados no periódico Injury.

“Faltavam dados no Brasil sobre o uso de álcool e drogas ilícitas entre pacientes graves hospitalizados por acidentes de trânsito, violência ou quedas”, diz Henrique Bombana, um dos autores do estudo e pesquisador colaborador do Centro de Ciências Forenses da FM-USP. “Os resultados apontam, com exames precisos, uma alta prevalência do consumo de substâncias psicoativas. Essa informação pode contribuir para políticas públicas mais assertivas e para a prevenção de acidentes”, completa o pesquisador, que recebeu apoio da FAPESP para o projeto.

Segundo Bombana, a falta de políticas públicas baseadas em evidências científicas é um dos pontos-chave que dificultam o controle do uso de drogas. O consumo de substâncias psicoativas é um fator de risco para acidentes que pode ser evitado e o correto manejo ajudaria a diminuir o fardo do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estudo transversal

Entre julho de 2018 e junho de 2019, pacientes maiores de 18 anos com lesões traumáticas por acidentes de trânsito, quedas e episódios de violência (como agressões, armas de fogo e esfaqueamentos) foram recrutados dentro do HC/FM-USP, o maior complexo hospitalar da América Latina. Apenas os indivíduos hospitalizados por mais de 24 horas foram incluídos na análise. “Nós queríamos avaliar a prevalência de substâncias psicoativas nos casos mais críticos”, explica Bombana. No total, o estudo contou com 376 participantes com idade média de 36 anos – 80% eram homens.

Após serem estabilizados pela equipe de emergência, os pacientes tinham amostras de sangue coletadas. Para serem incluídas no estudo, elas deveriam ser retiradas, no máximo, seis horas depois do acidente. “Após esse período, a concentração de álcool e outras drogas não mais reflete os níveis no momento do acidente devido à metabolização”, informa Bombana.

As amostras foram levadas para o Hospital Universitário de Oslo, onde foram analisadas por meio de técnicas como a cromatografia líquida de ultraperformance e a espectometria de massa. Segundo Bombana, enquanto a primeira separa as diferentes substâncias presentes no sangue, a segunda as identifica.

Em paralelo, os voluntários ofereciam informações socioeconômicas e respondiam a um questionário com perguntas sobre sexo, idade, estado civil e formação acadêmica. Eles também preencheram o chamado AUDIT-C (Alcohol Use Disorder Identification Test – Concise), um formulário com três questões que mensura hábitos de consumo prejudicial de álcool.

Mais informações, clique aqui.

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