Estudo identifica novo mecanismo de regulação da inflamação sistêmica

10 de janeiro de 2022

Agência FAPESP * – Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram que macrófagos do baço e do fígado se comunicam e atuam na regulação da inflamação sistêmica, resposta natural do sistema imune a infecções mais graves.

A descoberta abre novas perspectivas para entender melhor a importância da comunicação entre órgãos em infecções graves ou generalizadas, o que pode servir como base para estudar novos tratamentos.

A pesquisa foi publicada em artigo na revista Science Signaling e teve apoio da FAPESP pelo Projeto Temático “Hipotermia na sepse: causas e consequências”.

Macrófagos são células do sistema imune responsáveis por fiscalizar alterações nos tecidos, induzindo a produção de proteínas, chamadas de citocinas, que “avisam” o organismo de que há um agente infeccioso que precisa ser eliminado. Até então, acreditava-se que os macrófagos do baço eram os maiores produtores de TNF, a primeira citocina pró-inflamatória liberada durante uma infecção.

No entanto, segundo o pesquisador Alexandre Steiner, coordenador do estudo, em entrevista para a Acadêmica Agência de Comunicação, esse papel parece ser dos macrófagos do fígado, que por sua vez recebem um estímulo do baço.

“Em modelos animais de inflamação sistêmica, nós verificamos que a produção de TNF no fígado foi aumentada pelo leucotrieno B4 (LTB4) liberado pelo baço. O LTB4 é um mediador derivado do metabolismo de lipídios que participa da regulação da inflamação”, explica Steiner. Segundo ele, muitos estudos mostravam que, quando o baço é retirado, os níveis de TNF ficam reduzidos. “Isso nos surpreendeu, pois agora acreditamos que o TNF diminui devido à falta de estímulo do baço no fígado, e não porque o baço é o principal produtor. O baço deixa de ser visto de forma isolada”, completa.

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