Estudo pode impulsionar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para malária

24 de agosto de 2021

Agência FAPESP* – Uma pesquisa conduzida na London School of Hygiene & Tropical Medicine (Inglaterra), em parceria com pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), pode auxiliar na busca de vacinas e novos tratamentos para a malária vivax, responsável por 80% dos casos da doença no Brasil.

A partir do sequenciamento genético de mais de 500 amostras do protozoário Plasmodium vivax de 25 regiões endêmicas, principalmente de países do sul da Ásia e da África Oriental, os cientistas identificaram variações genéticas e uma série de mutações que aumentam a infectividade e a resistência do parasita aos medicamentos antimaláricos. Os resultados foram publicados na revista Nature Communications.

O estudo indica que os isolados sequenciados do sul da Ásia se comportam como uma subpopulação de parasita distinta de outras partes do mundo, apenas compartilhando algumas características com genomas de parasitas da África Oriental e do Sudeste Asiático. Além disso, também foram observados sinais de seleção positiva associados à resistência a drogas.

“A estrutura populacional dessa espécie está diretamente relacionada ao desenvolvimento de imunidade ao parasita e a maneira como ele se propaga em uma determinada região. O constante surgimento de novas mutações é responsável pelo aumento da resistência aos atuais antimaláricos, agravando ainda mais a situação de controle da doença”, explica o professor Cláudio Marinho, um dos coordenadores do estudo e chefe do Laboratório de Imunoparasitologia Experimental do ICB-USP.

A pesquisadora Jamille Dombrowski, pós-doutoranda e bolsista da FAPESP, participou diretamente dos ensaios em Londres.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação do ICB-USP, ela destaca a importância de se combater a malária vivax, da mesma forma que a falciparum, tipo mais grave da doença: “Nos últimos anos, temos visto uma queda no número de casos de infecção por P. falciparum, por conta da maior atenção ao combate desse parasita, mas um aumento dos casos de P. vivax. Em diversos países, principalmente onde o P. vivax é resistente à cloroquina, regimes de tratamento utilizando artemisinina já são comumente utilizados. Isso é muito preocupante, visto que é o fármaco mais potente contra a doença”.

Mais informações, clique aqui.

Post Tagged with , ,

Desenvolvido e mantido pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP