Exposição recorrente à malária aumenta o risco de anemia nos primeiros dois anos de vida

16 de julho de 2021

André Julião | Agência FAPESP – Estudo realizado com 1.539 crianças do município de Cruzeiro do Sul, situado na região do Acre que concentra a maior parte dos casos de malária no Brasil, constatou que os bebês estão relativamente protegidos da doença durante o primeiro ano de vida. Após esse período, porém, os casos de infecção aumentam e tornam as crianças mais suscetíveis à anemia, condição que pode comprometer o desenvolvimento infantil.

“A anemia nos primeiros dois anos de vida ocorre justamente no período crítico de desenvolvimento neurológico. A deficiência de ferro, principal causa de anemia na infância, tem um impacto irreversível para o desenvolvimento infantil. Consequentemente, impacta também o capital humano e a saúde dos futuros adolescentes e adultos dessas localidades endêmicas”, comenta Marly Augusto Cardoso, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e coordenadora da pesquisa.

A investigação foi conduzida no âmbito do “Estudo MINA – materno-infantil no Acre: coorte de nascimentos da Amazônia ocidental brasileira”, que é apoiado pela FAPESP. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (15/07), na revista PLOS Neglected Tropical Diseases.

“Trata-se do primeiro estudo de base populacional de uma coorte [conjunto de pessoas que têm em comum um evento que se deu no mesmo período] de nascimentos na Amazônia ocidental brasileira. A proposta é identificar determinantes da saúde materno-infantil nos primeiros mil dias de vida da criança. Além dos problemas que encontramos em outras regiões do Brasil e outros países de baixa e média renda, Cruzeiro do Sul tem o fator adicional de ser uma área endêmica de malária. Por isso investigamos também a ocorrência dessa e de outras doenças infecciosas tropicais, como dengue e chikungunya”, conta Cardoso.

 

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