Imunoterapia com extrato de ácaro doméstico reduz sintomas da dermatite atópica

2 de fevereiro de 2022

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Um tratamento com extrato de ácaro encontrado na poeira domiciliar se mostrou eficaz na redução de sinais e sintomas da dermatite atópica, doença inflamatória crônica que provoca coceira e lesões na pele. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) estudaram os efeitos da imunoterapia, aplicada em gotas sob a língua dos pacientes durante 18 meses.

Após esse período, a coceira e as lesões na pele diminuíram e, em alguns casos, quase desapareceram, sendo raros os efeitos colaterais – foram registradas apenas reações locais leves e transitórias. O resultado do trabalho, apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology: in Practice.

A imunoterapia consiste na administração de vacinas produzidas com os próprios agentes causadores de alergia (alérgenos), em doses crescentes, a fim de reduzir a sensibilização e induzir tolerância na pessoa alérgica a substâncias como ácaros, polens e venenos de insetos.

O ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo – considerado padrão-ouro para avaliar a eficácia de fármacos – foi conduzido entre maio de 2018 e junho de 2020 na Unidade de Pesquisa Clínica do hospital da FMRP-USP. Um grupo de 66 pacientes recebeu placebo ou imunoterapia sublingual com extrato de ácaro da poeira domiciliar três dias por semana durante 18 meses. Eles foram acompanhados pela médica Sarah Sella Langer, pós-graduanda na FMRP-USP e primeira autora do artigo.

“Já havia estudos mostrando que a imunoterapia para ácaro funciona bem em casos de rinite, conjuntivite e asma alérgica, mas para dermatite atópica os resultados ainda eram conflitantes, principalmente quando o tratamento era feito com injeções subcutâneas. Depois que surgiu a imunoterapia sublingual, que tem menos chance de causar efeitos adversos – entre eles reação sistêmica –, resolvemos pesquisar e vimos os resultados positivos”, afirma a professora Luisa Karla de Paula Arruda, uma das orientadoras da pesquisa.

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