Na luta contra o tabaco, cigarros eletrônicos não ajudam a parar de fumar

12 de agosto de 2019

Jornal da USP | Roxana Ré – O Brasil foi considerado referência no combate ao tabaco pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados são do 7º Relatório sobre a Epidemia Mundial do Tabaco, que tem foco nos progressos feitos pelos países para ajudar as pessoas a deixar de fumar. Na avaliação do órgão, Brasil e Turquia se tornaram exemplos internacionais no combate ao tabagismo, tendo alcançado o mais alto nível das seis medidas Mpower, contidas no plano para reverter a epidemia do tabaco, como estabelecer políticas de prevenção e oferecer ajuda para parar de fumar.

O Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP promove estudos que visam a melhorar o tratamento contra a dependência. Jacqueline Scholz Issa, médica e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor, contou ao Jornal da USP no Ar que o reconhecimento da OMS é bem fundamentado.

Hoje, segundo a especialista, cerca de 10% da população brasileira fuma e é caracterizada como viciada. Esse número já foi maior, mas o combate a esse cenário permanece em função do alto risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em fumantes, que resultam em morte em 30% dos casos. O tratamento contra a dependência é oferecido pelo Ministério da Saúde e também pelo InCor, e visa a inibir o desejo do paciente por tabaco. A especialista desmistifica o uso de cigarros eletrônicos, que ganharam fama por serem usados como uma saída para quem deseja abandonar o cigarro convencional. Ela explica que o uso desses novos aparelhos não pode ser considerado, sob hipótese alguma, uma forma de tratamento.

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