Novo coronavírus acelera produção e difusão científica

3 de março de 2020

Carlos Fioravanti  |  Pesquisa FAPESP * – Em 28 de fevereiro, o Instituto Adolfo Lutz divulgou a sequência genética do vírus Sars-CoV-2 do primeiro paciente brasileiro, relatado dois dias antes. O trabalho reuniu pesquisadores das universidades de São Paulo (USP) e de Oxford, no Reino Unido, e comparou 127 genomas completos de 17 países em que o vírus já foi encontrado. De acordo com o relato publicado no Virological.org, um site para virologistas, a amostra do vírus chamada Brazil/SPBR1/2020 difere por apenas três mutações da Wuhan-Hu-1, tomada como referência. O sequenciamento ajuda a entender como o vírus está se dispersando pelo mundo e pode ser útil para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos.

“Ao sequenciar o genoma do vírus, ficamos mais perto de saber a origem da epidemia”, disse Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP, à Karina Toledo, da Agência FAPESP. “Sabemos que o único caso confirmado no Brasil veio da Itália, contudo, os italianos não sabem a origem do surto na região da Lombardia, pois ainda não fizeram o sequenciamento de suas amostras” (leia notícia em: http://agencia.fapesp.br/32637/).

Ao lado de Nuno Faria, da Universidade de Oxford, Sabino coordena o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde). O projeto, apoiado por FAPESP, Medical Research Council e Fundo Newton (os dois últimos do Reino Unido), tem como objetivo estudar em tempo real epidemias de arboviroses, como dengue e zika. O sequenciamento do genoma viral foi conduzido pela equipe coordenada por Claudio Tavares Sacchi, responsável pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, e Jaqueline Goes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP com bolsa FAPESP.

Mais informações, clique aqui.

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