Pesquisa ajuda a entender relação entre doença renal diabética e problemas cardiovasculares

18 de agosto de 2021

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) investigaram como determinadas alterações metabólicas observadas em indivíduos com doença renal diabética podem favorecer o acúmulo de colesterol nas artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Com apoio da FAPESP, foram acompanhadas 49 pessoas com diabetes tipo 2 (há pelo menos dez anos) e doença renal em diferentes estágios, mas com controle glicêmico parecido.

As análises mostraram que, nesses pacientes, a proteína albumina produzida pelo fígado é mais suscetível a um processo chamado carbamoilação, uma reação espontânea não enzimática que modifica a molécula.

“As albuminas dos indivíduos com doença renal diabética sofrem maior carbamoilação e [em decorrência dessa alteração] prejudicam a remoção de colesterol da célula pelas lipoproteínas de alta densidade [HDL], também chamadas de partículas que transportam o ‘bom’ colesterol. As HDL têm a função de retirar o excedente de colesterol depositado nos vasos sanguíneos por meio do transporte reverso. Quando esse transporte é prejudicado, o colesterol se acumula nos macrófagos e favorece a aterosclerose”, escreve o grupo em artigo publicado no Journal of Diabetes and Its Complications.

Estima-se que haja no mundo 850 milhões de pessoas com doença renal decorrente de várias causas, sendo cerca de 10 milhões no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença afeta entre 20% e 40% dos pacientes com diabetes.

Segundo a professora Márcia Silva Queiroz, uma das orientadoras do trabalho, a literatura já aponta que indivíduos com diabetes e doença renal têm mais risco de hipertensão e alteração do colesterol, além de maior probabilidade de morte por problemas cardiovasculares. Porém, ainda há uma série de lacunas na compreensão de como se dá essa ligação e como ocorre o acúmulo de placas de gordura nas artérias desses indivíduos.

“É um quebra-cabeça. Colocamos mais uma pecinha no mecanismo fisiopatogênico, buscando contribuir para o melhor entendimento do motivo de esses pacientes terem mais eventos cardiovasculares”, afirma Queiroz, que à época da pesquisa estava na Faculdade de Medicina (FM) da USP e agora é professora na Universidade Nove de Julho (Uninove).

Mais informações, clique aqui.

Post Tagged with ,

Desenvolvido e mantido pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP