Pesquisadores identificam mutação em gene capaz de regular a dor

13 de março de 2023

Julia Moióli | Agência FAPESP – Em todo o mundo, 1,5 bilhão de pessoas sofrem de dor. Mesmo com diversas opções de medicamentos disponíveis, nem todas as suas formas são tratáveis e, quando são, pode haver efeitos adversos, como o desenvolvimento de dependência ou tolerância – especialmente no caso da morfina e outros opioides. Em busca de novas opções de analgésicos, pesquisadores do Laboratório Especial de Dor e Sinalização (LEDS) do Instituto Butantan estudaram um receptor celular denominado TRPV1, responsável por captar estímulos nocivos de calor e a sensação de ardência da pimenta. Eles descobriram uma mutação no gene codificador dessa proteína que pode causar perda de sensibilidade à dor.

Resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados em The Journal of Clinical Investigation.

Em parceria com as universidades Stanford e Emory, ambas nos Estados Unidos, e o Hospital Universitário de Münster, na Alemanha, o grupo brasileiro analisou uma série de mutações em humanos. Os autores também se beneficiaram de um conhecimento já existente sobre as aves – animais pouco sensíveis a estímulos nocivos e indiferentes a alimentos picantes justamente por conta de uma mutação no gene TRPV1.

“Existem mais de mil mutações para o receptor TRPV1 em humanos e não é novidade tentar desligá-lo para aliviar a dor, mas até hoje essas tentativas não foram bem-sucedidas”, diz à Agência FAPESP Vanessa O. Zambelli, pesquisadora do LEDS e primeira autora do estudo ao lado de Shufang He, de Stanford.

Maiores informações, clique aqui.

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