Técnica testada na Unesp pode tornar mais precisa a avaliação da fertilidade masculina

8 de maio de 2023

Julia Moióli | Agência FAPESP – A técnica de citometria de fluxo, já adotada por especialistas em reprodução animal, pode ser usada para analisar também espermatozoides humanos e prever o potencial de fertilidade masculina com mais exatidão do que os métodos tradicionais. A conclusão é de um estudo publicado na revista Reproductive Toxicology.

No campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pesquisadores testaram com sucesso a citometria de fluxo para a realização de análises funcionais do espermatozoide. Segundo os autores, esse tipo de análise com células humanas é inédito na literatura científica.

Com auxílio de um aparelho de detecção óptico-eletrônico equipado com lasers que excitam proteínas específicas chamadas fluoróforos e filtros que detectam essa emissão de fluorescência em diferentes cores que podem avaliar diferentes características das células ligadas à fertilidade, foi possível observar pontos como: integridade e estabilidade da membrana plasmática do espermatozoide, fundamental para sua sobrevivência no ambiente genital feminino e ligação com as células reprodutivas da mulher; status do acrossomo, estrutura presente no espermatozoide que auxilia sua penetração no ovócito (como é chamado o gameta feminino antes da fecundação) durante o processo de fertilização; potencial mitocondrial, que gera a energia usada para o batimento do flagelo ao passar pelo sistema genital feminino; e produção de ânion superóxido na matriz mitocondrial, que, apesar de ser um composto oxidante fundamental para o processo de capacitação e ligação do espermatozoide ao óvulo, em excesso é prejudicial – tudo com apenas uma amostra.

Em queda contínua nas últimas décadas, a contagem de espermatozoides vem influenciando o declínio no número de nascimentos. A avaliação clínica dessas células é essencial tanto para identificar casos de infertilidade quanto para trabalhar com biotécnicas de reprodução, como fertilização in vitro e ISCI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), método de fecundação em que o gameta masculino selecionado é injetado diretamente no ovócito maduro com uma agulha fina.

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