USP realiza primeiro workshop sobre utilização de animais em pesquisa científica e ensino

22 de maio de 2019

Evento que será realizado em junho traz os debates mais atuais sobre o tema, da importância das leis à criação de métodos alternativos ao uso de animais

Cada animal usado em pesquisa ou ensino dentro de uma universidade deve ser previamente aprovado pela comissão de ética de seu Instituto. Seja ele um pequeno camundongo usado por um pesquisador de fisiologia, seja um boi estudado por um aluno de zootecnia. Somente na Universidade de São Paulo, existem 25 unidades que utilizam animais em pesquisa e ensino e que possuem sua própria Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA).

Todas as atividades de ensino e pesquisa envolvendo animais devem ser previamente aprovadas pela CEUA. As CEUAs têm como dever primordial a defesa do bem-estar dos animais, assim como a garantia do desenvolvimento da pesquisa e do ensino segundo elevado padrão ético e acadêmico. Cada CEUA responde pelas suas atividades ao Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Como cada unidade tem suas especificidades de aulas, de pesquisa e de instalação animal, a Pró-Reitoria de Pesquisa da USP criou um grupo de estudos que se reúne regularmente e auxilia na uniformização de procedimentos pelas CEUAs, adequação das instalações animais, propostas de melhorias, divulgação de informações, entre outros temas. De acordo com Débora Chadi, coordenadora do grupo, essas ações coordenadas com as diferentes CEUAs são muito importantes considerando o tamanho, as atividades da USP e sua responsabilidade institucional junto ao CONCEA.

Nesse sentido, uma das propostas do grupo coordenado por Débora é a realização do primeiro Workshop sobre ética animal no ensino e na pesquisa. “Também é a primeira vez que fazemos um evento focado nos alunos da graduação, de pós-graduação e pós-doutores. É muito importante que os alunos que trabalharão com animais conheçam a legislação vigente sobre o tema e identifiquem a responsabilidade de cada um, da Instituição, da CEUA e do pesquisador na utilização ética de animais no ensino e na pesquisa”, diz Débora.

O objetivo central é garantir que os alunos da USP estejam devidamente informados sobre o uso adequado de animais em seus estudos. “Além de conhecer a lei, é muito importante para os alunos saber que a qualidade do animal e o modo como ele é mantido ou manuseado influencia no resultado dos seus experimentos. Assim, se os procedimentos utilizados são corretos, ele garantirá a reprodutibilidade de resultados, questão muito discutida hoje”, explica a professora, que é uma das organizadoras do evento e docente do Instituto de Biociências.

Comissões de ética das universidades garantem o bem-estar dos animais usados em pesquisa e ensino (Crédito: Tibor Janosi Mozes/Pixaby)

Por uma pressão cada vez maior de sociedades protetoras dos animais e da sociedade como um todo, um dos assuntos mais falados no momento é sobre os métodos alternativos ao uso de animais. Existe uma Resolução Normativa do CONCEA que reconhece diversos desses métodos e que entrará em vigor em setembro deste ano. Débora cita como exemplo o método para testar o potencial de irritação e corrosão ocular, utilizado pela indústria farmacêutica para testes cosméticos e que agora será feito sem a utilização de animais.

“Há muitos procedimentos nos quais a utilização de animais é imprescindível, como no treinamento de habilidade cirúrgica, para testes de vacinas e novos fármacos. Mas os debates existem justamente para que se criem novas soluções”, diz ela.

Um exemplo disso é a própria Lei Arouca, de 2008, que disciplina o uso de animais na pesquisa. Desde sua aprovação, mais de 40 resoluções normativas (RN) já foram criadas a partir de novos entendimentos que foram aparecendo nesses onze anos. Uma delas é a que dita o que os biotérios (onde ficam os animais usados em pesquisa) devem oferecer para proporcionar bem-estar aos animais. Existe um manual para biotérios que deve ser seguido à risca.

A USP possui uma rede de biotérios, incluindo um de produção de ratos e de camundongos, o que garante animais de qualidade para os pesquisadores e se reflete diretamente na qualidade do experimento – tema que também será discutido no Workshop, segundo a professora Débora.

A estrutura dos biotérios, o histórico da legislação (e a que há em vigor hoje), a qualidade dos animais, o papel das sociedades protetoras, os métodos alternativos e a biossegurança são os temas que serão apresentados e debatidos no Workshop. Veja a programação completa abaixo.

O 1º Workshop USP sobre utilização de animais em pesquisa científica e ensino acontece no dia 07 de junho, a partir das 8h, no Auditório do Instituto de Energia e Ambiente- IEE (Av. Prof. Luciano Gualberto, 1289 – Cidade Universitária).

Não é necessária inscrição prévia. Evento gratuito e com certificado. Haverá transmissão ao vivo.

 

Débora Rubin | Comunicação LIMs

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